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11/02/2026

Do design ao descarte: como a economia circular redefine valor nos negócios do Electrolux Group

Por João Zeni*
Diretor de Sustentabilidade do Electrolux Group América Latina

Vivemos um momento em que a economia circular deixou definitivamente de ser uma discussão conceitual para se tornar um pilar estratégico para empresas que querem prosperar no século XXI. A urgência climática, a escassez de recursos naturais e a pressão crescente por eficiência operacional e responsabilidade ambiental exigem que as organizações repensem, de forma estrutural, como projetam, produzem, distribuem e descartam seus produtos.

Os dados globais reforçam essa urgência. De acordo com o Circularity Gap Report 2025, apenas 7,2% dos recursos retornam à economia após o uso, o que evidencia o quanto o modelo linear ainda domina a lógica produtiva global. Esse cenário torna claro que não basta otimizar processos isolados: é preciso redesenhar sistemas inteiros, do design ao descarte, para reduzir a dependência de matérias-primas virgens e evitar desperdícios em larga escala.

Na Electrolux Group, enxergamos a economia circular não como um complemento às nossas estratégias, mas como um princípio orientador da empresa. Presente em quase 70% dos lares brasileiros, o Grupo entende que sua escala traz também uma responsabilidade proporcional. Por isso, a circularidade está integrada às nossas metas globais de descarbonização, validadas pela Science Based Targets initiative (SBTi), e orienta decisões estratégicas em toda a cadeia de valor.

No Electrolux Group separamos nossa abordagem de Economia Circular em 3 principais pilares: usar menos, usar por mais tempo e usar novamente (Use Less, Use Longer e Use Again). Com este olhar, consideramos em nossa visão ações que vão desde a extração da matéria-prima, mas passam também pela fase de uso e destino final dos produtos que colocamos no mercado.

Um aspecto interessante é que esta abordagem exige que, praticamente, toda a empresa esteja alinhada com estes conceitos, uma vez que inclui demandas que afetam desde a área de design, passando por pesquisa e desenvolvimento, logística, manufatura, compras, chegando ao pós-venda.
 

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Neste sentido, vale comentar que tudo começa no design. Projetar produtos mais eficientes, duráveis e preparados para múltiplos ciclos de vida é essencial para reduzir impactos ambientais sem comprometer desempenho ou experiência do consumidor. Temos avançado na redução de materiais e dimensões de alguns produtos (com purificadores de água até 27% menores, por exemplo), na eliminação de pinturas desnecessárias para facilitar a reciclabilidade e na substituição progressiva de gases refrigerantes com maior impacto ambiental, já realizada 100% na América Latina, em linha com a plataforma Cool Coalition, da ONU. Dessa forma, o design deixa de ser apenas estético ou funcionalidade e se torna uma ferramenta estratégica de circularidade. 

Outro eixo central dessa transformação está no uso crescente de materiais reciclados, que possibilita que utilizemos menos matéria-prima virgem. Este é um aspecto que demanda envolvimento profundo das áreas de manufatura, compras e P&D. No Brasil, já utilizamos mais de 3 mil toneladas de plástico reciclado pós-consumo por ano, número que continua avançando. Alguns de nossos produtos contam com mais de 50% de conteúdo reciclado, mantendo os padrões de qualidade e segurança dos materiais virgens. Além disso, o plástico incorporado é novamente reciclável, reforçando a lógica de ciclo fechado e reduzindo a necessidade de extração de novos recursos.

As áreas de Compras e Pesquisa & Desenvolvimento são fundamentais, pois esses avanços só são possíveis por meio de parcerias estratégicas ao longo da cadeia produtiva. Trabalhamos em colaboração com fornecedores e empresas de materiais que compartilham a mesma ambição, como no uso de resinas recicladas de alto desempenho desenvolvidas em conjunto com a indústria química. Essas alianças permitem escalar soluções circulares, reduzir a pegada de carbono dos produtos e fortalecer todo o ecossistema de reciclagem.

No caso de embalagens, o Grupo tem trabalhado em duas frentes: reduzir o uso de plásticos e fomentar a circularidade do que não é possível substituir. Para isso, implementamos plásticos filme com 30% de conteúdo reciclado pós consumo em algumas linhas de produtos (lavadoras) e eliminamos mais de 98% o plástico de produtos de pequeno porte. No caso do EPS, por ainda ser um material importante para evitar danos aos produtos de grande porte, ao mesmo tempo em que continuamos buscando alternativas, iniciamos em 2026 um projeto para testar modelos de estímulo à reciclagem de EPS, inicialmente em cooperativas da região de Curitiba.

A circularidade, no entanto, não termina no momento da venda. Na fase de uso do produto também buscamos estar próximos de nossos consumidores, ampliando a reparabilidade dos produtos, com disponibilidade de peças e com uma das maiores redes de assistências autorizadas do Brasil. Além disso, desde 2024, a plataforma própria Electrolux Cuida (https://cuida.electrolux.com.br/), facilita o acesso à assistências técnicas e traz dicas de manutenção dos produtos.

Outro exemplo são produtos que sofrem avarias ou são devolvidos em nosso processo de entregas e retornam para nossas unidades para um processo que chamamos de remanufatura. Estes produtos remanufaturados passam por inspeções de qualidade similares aos produtos novos e são vendidos em nossos Outlets por todo o Brasil com preços reduzidos.

E no fim de vida dos produtos também entendemos que a responsabilidade do fabricante se estende para o pós-consumo. Foi a partir dessa visão que criamos o Serviço de Coleta e Descarte Consciente, pioneiro entre fabricantes de eletrodomésticos no Brasil. O programa já coletou mais de 14 mil eletrodomésticos, totalizando 680 toneladas de materiais reciclados corretamente, independentemente da marca do produto devolvido. O mesmo caminhão que entrega um novo equipamento recolhe o antigo, reduzindo emissões logísticas e tornando o descarte correto simples e acessível ao consumidor.

E se não for realizada a compra de um produto, a empresa tem uma parceria com a OpenCE e Industria Fox (maior recicladora de linha branca do Brasil) para facilitar o descarte de equipamentos antigos pelos nossos consumidores. Veja mais em: https://descarteconsciente.org/ 

Essa iniciativa traduz, na prática, como a economia circular pode gerar valor ambiental, social e operacional ao mesmo tempo. Nossas operações têm também um vínculo forte com a Economia Circular, sendo que todas as fábricas na América Latina têm certificação Zero Aterro e os escritórios têm uma abordagem zero plástico. Além disto, ela conecta metas climáticas globais ao comportamento cotidiano das pessoas e reforça que sustentabilidade não precisa ser complexa para ser efetiva.

Circularidade e descarbonização caminham juntas. Hoje, 100% da eletricidade utilizada na América Latina pelo Electrolux Group já vem de fontes renováveis, e avançamos de forma consistente na redução de emissões em toda a cadeia. Projetos industriais, como a nova fábrica de São José dos Pinhais (PR), foram concebidos para operar com baixa pegada de carbono e ambição de resíduo zero para aterros, mostrando como inovação industrial e sustentabilidade podem, e devem, andar lado a lado.

Muitas das ações que já eram feitas no Electrolux Group buscando aprimorar a experiência do consumidor já contribuíam com o conceito de Economia Circular, e possibilitar um olhar mais estratégico e unir este conceito a estes projetos sem dúvidas traz contribuições significativas, principalmente porque a economia circular deixou de ser apenas uma ferramenta ambiental para tornar-se um diferencial competitivo, um fator de reputação corporativa e uma exigência clara de consumidores, mercados e investidores. Empresas que incorporam circularidade no centro de sua estratégia constroem negócios mais resilientes, inovadores e preparados para o futuro.

Dentro de todo esse amplo contexto da economia circular, não é possível deixar de mencionar tendências regulatórias em relação ao tema, principalmente europeias e a todo o arcabouço regulatório que está sendo construído no Brasil, por exemplo com a nova Política Nacional de Economia Circular e a Estratégia Nacional de Economia Circular.

Estou convencido de que esse movimento já não é opcional. A economia circular representa um novo paradigma industrial. As organizações que entenderem isso agora não apenas reduzirão riscos e impactos, mas ajudarão a moldar um modelo de desenvolvimento mais equilibrado, eficiente e sustentável para as próximas décadas.

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*João Zeni é diretor de Sustentabilidade do Electrolux Group para a América Latina, onde lidera há mais de cinco anos a estratégia regional alinhada ao framework global For the Better. Engenheiro Ambiental, tem ampla experiência em ESG, economia circular e logística reversa, integrando inovação, eficiência e impacto positivo aos negócios.


 

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