
06/05/2026
A primeira maçã: o desperdício de alimentos e a mudança climática
Por Marisol Del Toro
Pergunta séria para você: por quanto tempo você acha que a produção de alimentos no planeta será suficiente para continuarmos vivendo? Essa foi a questão que passou pela minha mente enquanto eu dava uma mordida em uma maçã e pensava em tudo o que precisou acontecer para que eu, uma simples mortal, pudesse provar aquele fruto doce e maduro.
Para que uma maçã chegue até a nossa mesa, uma série de etapas precisa acontecer: a coleta da semente, o plantio, a irrigação, a fertilização, o crescimento, a sobrevivência da árvore e do fruto diante de fenômenos naturais — e das mudanças climáticas —, a colheita, o transporte, as negociações comerciais, o manuseio até o destino final e, por fim, a chegada ao mercado para que alguém — não qualquer pessoa, mas quem tenha recursos — possa comprá-la e levá-la para casa.
Descrito assim, fica claro que consumir uma maçã ou qualquer alimento não é algo simples. Exige múltiplos recursos e o trabalho de muitas pessoas. Por isso, cada vez que esse alimento acaba no lixo — seja por amadurecer rápido demais ou por não ser consumido a tempo — todo esse esforço humano e natural é desperdiçado.
Entre os fatores que contribuem para a crise climática, o desperdício de alimentos ocupa o terceiro lugar. De acordo com a ONU, quase 1 bilhão de toneladas de alimentos (cerca de 17% do total disponível para consumidores no mundo) são descartadas todos os anos. A produção, o transporte e o descarte desses alimentos respondem por mais de 8% das emissões globais de gases de efeito estufa. Se o desperdício fosse um país, seria o terceiro maior emissor do mundo.
Segundo estudos da WWF, grande parte da perda de biodiversidade está relacionada à produção de alimentos. O impacto inclui práticas agrícolas insustentáveis, expansão sobre áreas naturais, desmatamento e modelos de pesca e aquicultura não sustentáveis.
Embora essa questão envolva múltiplos atores, nunca foi tão urgente repensar nossos hábitos de consumo. Por isso, o Movimento Circular propõe três ações simples:
- Planeje e se organize: faça uma lista do que pretende cozinhar e compre apenas o necessário.
- Cozinhe e consuma em casa: priorize o que já tem antes de comprar mais.
- Revise o que você possui: verifique prazos, compartilhe excedentes e consuma com consciência.
Pequenas ações geram grandes mudanças. Escolher não desperdiçar é um passo essencial.
Talvez valha a reflexão: se, no imaginário, Eva tivesse desperdiçado a primeira maçã antes de mordê-la, a humanidade sequer existiria.

*Profª Marisol Del Toro é embaixadora do Movimento Circular no México. É licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade Vasco de Quiroga, mestre em Desenvolvimento Humano pela Universidade La Salle Morelia e doutoranda em Educação pela Universidade Contemporânea das Américas, com investigação em curso. Foi professora no ensino secundário e universitário durante 17 anos e é examinadora da Organização Internacional Baccalaureate, cujo programa educativo é ministrado em mais de cinco mil escolas em todo o mundo.
*Este texto foi traduzido automaticamente com a ajuda de inteligência artificial e revisado. Ainda assim, podem ocorrer pequenas diferenças em relação à versão original em espanhol.
