
01/04/2025
Prêmio por um Mundo Sem Lixo Internacional anuncia vencedores da Febrace 2025
Por Arlene Carvalho, do Movimento Circular
A 5ª edição do Prêmio Por Um Mundo Sem Lixo - Internacional, promovido pelo Movimento Circular, teve início oficialmente durante a 23ª Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), realizada na semana passada em São Paulo. Cinco projetos que conversam com a inovação em ciência e tecnologia para a Economia Circular foram selecionados entre os campeões e menções honrosas.
A premiação é uma iniciativa educacional do Movimento Circular, com o apoio do nosso parceiro pioneiro Dow, e em parceria com importantes feiras de Ciência e Tecnologia de toda a América Latina; e tem como objetivo identificar, reconhecer e dar visibilidade a iniciativas de estudantes e educadores que contribuem para a construção de um mundo sem lixo e de sociedades mais circulares.
Confira os vencedores:
O primeiro lugar da premiação ficou com as alunas do SESI Boqueirão, em Curitiba (PR). Foto: Reprodução/Movimento Circular
1º Lugar – Ecoplasf: uso de resíduos descartados incorretamente para melhoria das pavimentações asfálticas – fase II
As estudantes do Colégio SESI Boqueirão, em Curitiba (PR), Laura de Paula Rosa, Maria Cecília Wunder de Oliveira, Vitória Simão Vernizi e a orientadora Amanda de Souza Maloste ficaram com o primeiro lugar e reforçaram a importância de agir pela Economia Circular para o dia a dia.
O projeto propõe uma solução inovadora para dois grandes desafios ambientais e urbanos: o descarte inadequado de resíduos e a deterioração das vias públicas.
“Usamos resíduos que possuem grande tempo de decomposição, além da fibra de coco e do vidro, por exemplo, para criar uma solução que resolvesse essa destinação inadequada de derivados de petróleo e melhorasse a qualidade do asfalto na nossa cidade”, explicaram as alunas.
Os testes realizados indicam que a proposta pode ser aplicada de forma eficiente na sociedade, reduzindo impactos ambientais e melhorando a infraestrutura urbana.
Victoria Zimmer e sua criação! Foto: Reprodução/Movimento Circular
2º Lugar – Sustainware: alternativa sustentável para a produção de louça cerâmica
“Eu gostaria de imaginar um mundo onde os resíduos que nós descartamos não são um problema; onde as milhões de toneladas que nós descartamos não são mal gerenciadas; mas são usadas em produtos úteis como a louça de cerâmica que apresentei aqui na Febrace”, defendeu Victoria Zimmer Gomes, aluna do Campus Feliz do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS). Ela desenvolveu o projeto Sustainware sob a orientação de Cínthia Gabriely Zimmer e coorientação de Suyanne Angie Lunelli Bachmann; e apresenta uma solução inovadora para a indústria cerâmica, com foco na sustentabilidade.
A pesquisa utiliza dois resíduos abundantes na região e com baixo índice de reciclagem – a casca de arroz e o vidro – para produzir louças cerâmicas com menor impacto ambiental. Ao incorporar até 60% desses resíduos (30% de cinza da casca de arroz e 30% de vidro), o projeto não só reduz o consumo de recursos minerais e energia, mas também diminui as emissões de carbono durante o processo de fabricação.
Os resultados? As louças sustentáveis apresentam desempenho equivalente às convencionais, oferecendo uma alternativa ecológica e eficiente para a produção cerâmica!
Os estudantes de Nova Venécia, no ES, utilizam a borra de café para substituir o plástico convencional por um material biodegradável e ecologicamente correto nas impressões 3D. Foto: Reprodução/Movimento Circular
3º lugar - Coffee 3D Maker: inovando o presente e salvando o futuro
O projeto Coffee 3D Maker foi desenvolvido por Julia Righette Soares, Mateus Valeriano Lopes e Matheus de Abreu Mioto, todos estudantes da Escola Estadual de Ensino Médio Dom Daniel Comboni, em Nova Venécia, no Espírito Santo. Sob a orientação de Fabrício de Sá Hora Santos e co-orientação de João Vitor Santana dos Santos, eles propuseram uma solução inovadora e sustentável para a impressão 3D.
Utilizando a borra de café, um resíduo abundante na região, o projeto mostra que é possível substituir o plástico convencional por um material biodegradável e ecologicamente correto. Ao fazer isso, além de reduzir o uso de plásticos, oferece uma alternativa ao descarte inadequado de resíduos, um problema crítico em Nova Venécia, onde a queima de lixo é uma prática comum devido à falta de um sistema eficiente de coleta.
O projeto aborda dois grandes desafios ambientais: o desperdício de plásticos e o impacto da borra de café, que pode obstruir tubulações e poluir rios. Ao criar esse material sustentável, a iniciativa não só contribui para a preservação ambiental, mas também gera novas oportunidades econômicas, estimulando a economia local.
Menções honrosas
Ana Elisa Vieira Forte, estudante que criou o Ecoblister. Foto: Reprodução/Movimento Circular
Ecoblister: reduzindo o impacto ambiental através do descarte sustentável de blister de medicamentos
O projeto EcoBlister é um jogo que busca educar as pessoas sobre o descarte correto de blísteres de medicamentos - aquelas embalagens rígidas que protegem e armazenam medicamentos. Elas contêm materiais como plástico e alumínio de difícil decomposição e resíduos de substâncias químicas.
Desenvolvido pela estudante Ana Elisa Vieira Forte, sob orientação de Marcelo Oliveira Ribeiro, da Escola Major João Antônio Marques, em Xangri-lá, no Rio Grande do Sul, o projeto visa trazer uma solução pedagógica para conscientizar a comunidade escolar sobre o descarte adequado desses materiais. A iniciativa aborda questões sociais, pois o descarte inadequado de blísteres pode afetar catadores e profissionais da reciclagem. A proposta visa gerar benefícios tanto para o meio ambiente quanto para a comunidade local.
As estudantes do Colégio Estadual Dom Juvêncio de Britto, de Sergipe, criaram o Palmlac. Foto: Reprodução/Movimento Circular
Palmlac: integração da Economia Circular e segurança alimentar através do reaproveitamento sustentável do soro de leite para combater a subnutrição
O PalmLac é uma solução inovadora que integra Economia Circular e segurança alimentar, focada no combate à subnutrição no semiárido brasileiro. O projeto vem do Colégio Estadual Dom Juvêncio de Britto, de Sergipe, e é de autoria de Eloise de Souza Santos, Laura Fernanda Bras de Lima e Maria Luiza Gomes dos Santos, orientado por Lark Soany Santos e co-orientado por Marisa Gomes Nobre. Ele utiliza soro de leite, rapadura e polpa de palma para criar uma bebida láctea nutritiva e acessível, especialmente voltada para crianças em idade escolar, que enfrentam carências nutricionais graves. A bebida foi formulada com base em rigorosas avaliações de calorias, proteínas, fibras e minerais essenciais, e passou por testes sensoriais nas escolas, com 87% de aprovação.
Além de fornecer uma solução eficiente para a subnutrição infantil, o PalmLac também promove sustentabilidade e apoia a economia local ao valorizar ingredientes da agricultura familiar. Com potencial de ser integrado a programas públicos como o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar), o projeto almeja gerar impactos positivos tanto na saúde das crianças quanto na economia regional, alinhando-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
Para o diretor geral do Movimento Circular, Vinicius Saraceni, a comunidade escolar envolvida no fomento à Economia Circular está de parabéns. “Ficamos muito felizes em constatar que, a cada ano, as soluções propostas pelos participantes do Prêmio Por Um Mundo Sem Lixo - Internacional estão cada vez mais robustas, complexas, ao encontro de um mundo cada vez mais circular”.
Segundo o embaixador e coordenador pedagógico do Movimento Circular Prof. Dr. Edson Grandisoli, que participa de todas as etapas do prêmio, a qualidade dos projetos e a capacidade dos estudantes e educadores em estabelecer um diálogo com o próprio contexto e a realidade merecem destaque. Para ele, outro movimento significativo é o aumento expressivo da quantidade de projetos vinculados à Economia Circular - muitos deles com o termo já aparecendo em muitos títulos e fazendo parte do discurso de diversos estudantes. “O Prêmio Por Um Mundo Sem Lixo - Internacional desempenha um papel importante nesse processo, ao trazer à tona esses projetos que já estão alinhados com a construção de sociedades mais circulares.”
Maria Carolina Stenico, coordenadora do Prêmio Por Um Mundo Sem Lixo - Internacional, ressalta o compromisso dos estudantes com as questões ambientais atuais. “Esta é a 5ª edição da premiação, e é extremamente gratificante ver o número crescente de alunos que estão refletindo sobre a realidade ambiental em que vivemos. Este ano, notamos um aumento significativo de projetos que mencionam a Economia Circular, mostrando que o conceito está cada vez mais presente no pensamento dos jovens. Além disso, observamos soluções criativas e inovadoras em diversas áreas de pesquisa, o que reforça a importância de incentivar essa nova geração a transformar desafios ambientais em oportunidades para um mundo mais sustentável.”
Os projetos premiados mostram como a criatividade, a ciência e a inovação podem caminhar juntas para transformar desafios ambientais em soluções resilientes. Ao integrar os princípios da Economia Circular, essas iniciativas não apenas reduzem impactos negativos ao meio ambiente, mas também promovem benefícios sociais e econômicos para suas comunidades. O reconhecimento desses projetos reforça a importância do engajamento de jovens e educadores na construção do futuro. Com cada nova ideia e aplicação prática, damos mais um passo em direção a um mundo verdadeiramente circular.